31.8.10

Os inocentes do Leblon

Vida está tão corrida que nem lembrava mais disso aqui. É incrível as coisas que podem acontecer quando você menos espera. Estou morando sozinha no melhor bairro do Rio de Janeiro com direito à louça suja pra lavar e todas as coisas a que se tem direito quando se está por conta própria.
Mas quer saber? Estou amando!

30.7.10

O que eu queria te falar

Eu nunca escondi isso de ninguém. Todos os meus amigos sabem, todos os seus amigos sabem. Ontem mesmo, depois de tomar muitas cervejas confidenciei para uma daquelas pessoas que você conhece no bar e tem certeza que não vai lembrar o nome no dia seguinte. Eu nem sequer lembro como surgiu o assunto, mas lá estava eu mais uma vez contando para um desconhecido que te amava e te amo mesmo depois de tanto tempo. Mesmo depois de eu ter vindo aqui  neste blog contar que eu tinha superado. E eu não menti. Eu superei e me apaixono de novo e me iludo e tudo dá errado e volto ao começo. E fico com essas estrias na alma de tanto criar esperança e sentir meu peito cheio pra depois murchar e tudo se diluir. Mas sempre tem você, ali, perdido em meus pensamentos. Eu posso me mudar para a Turquia e viver uma vida completamente diferente e me apaixonar e casar e ter filhos, mas sempre existirá você e é isso que eu gostaria de poder te dizer algum dia, porque no fundo eu não quero me livrar disso. Eu acho bonito e gostaria de alguma forma que você soubesse.
Você é como uma doença incurável. Dessas que a gente toma uma série de remédios pra manter ela ali quietinha sem se manifestar, mas a gente sabe que está ali e que em algum momento, quando menos se espera ela vai atacar novamente. Assim é você. E quando você se manifesta, você vem com tudo dentro de cada espaço do meu corpo e se espalha e eu mal consigo dormir porque eu quase consigo te sentir se fechar os olhos. Assim é você.
E aí vejo essas pessoas por aí dizerem que amam e me perguntam se eu já amei alguém algum dia e eu só sorrio por dentro, porque eu amo, assim sem explicação. Eu amo desde que te conheci. E amo o amor e o ato de amar porque você pra mim é o significado de tudo aquilo que os poetas falam.
Não importa que eu não te veja há meses e que a gente se ignore hoje em dia porque foi tudo tão intenso e nós dois sabemos que não temos como voltar sem estragar tudo outra vez. Nós dois sabemos que se tentarmos de novo somos capazes de iniciar uma terceira guerra mundial porque o nosso amor exerce uma força incontrolável sobre nós mesmo e sem pensar tomamos atitudes erradas, sumimos, mentimos e machucamos um ao outro. E eu não tenho mais tempo pra sofrer as cicatrizes que você deixa em mim e por isso eu sei que acabamos para sempre. Não sei se conseguiria seguir em frente com novas feridas abertas. Também não sei o motivo pelo qual fazemos isso e não podemos amar um amor tranquilo e sóbrio. Só sei  que meu amor por você, pelo o que representou para mim, pelo olhar que você me dirige até hoje quando a vida faz com que, de repente, demos de cara um com outro e você acha que eu não te vi e pelo o que você é vai ficar comigo pra sempre. E eu não vou ser menos feliz por causa disso. Resignada, eu aceito a minha condição.  Não há como não amar o amor.

25.7.10

O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...



O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...



Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar...



Amar é a eterna inocência,

E a única inocência não pensar...





Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

23.7.10

Oh linda!

Olinda - PE

dizem que um verdadeiro amor não morre.

30.6.10

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão,
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim.

- cartola

25.6.10

o olho

Eu te vejo. Vejo a incerteza em você e muitas dúvidas que podem ser relacionadas a mim e a este meu temperamento, no mínimo, difícil. Enxergo também tuas incertezas, teu medo. Do que é que você tem tanto medo? Fico pensando se eu estou diante de alguém que assim como eu carrega em sua alma todas as cicatrizes passadas. São os seus ombros curvados e em cima deles toda a dor deste mundo. Tu negarias. Sou apenas louca e muito imaginativa. Mas eu te vejo, ou melhor, eu te enxergo. Enxergo toda a tua insegurança que no fundo é um espelho da minha.

E o que podemos fazer diante disso?

a mar

“Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”.

[Caio Fernando Abreu]