“Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”.
Primeiro de tudo, gostaria de dizer que pronuncio Suri, quando na verdade era Soure o nome do lugar. hahaha Segundo que sim, eu peguei um ônibus até o porto às 5 da manhã. Depois peguei a balsa durante três horas. Em seguida, peguei outro ônibus (sim, a ilha é gigante e tem ônibus, se é que se pode chamar um carro cacareco de ônibus), que levou cerca de uma hora pra me deixar num local, onde peguei uma outra balsa por cerca de meia hora e então uma kombi que levou algo em torno de meia hora pra me deixar finalmente nesse pedaçinho de paraíso no meio do nada. (não é à toa que gravaram o programa "No Limite" aí, porque realmente não tem NADA. haha) Ao todo, eu levei seis horas de viagem pra chegar.
Meu sotaque está tudo, menos carioca. Mistura de paraense com paulista, mas de tanto andar com esse povo eu acabo sem perceber adotando o dialeto e fica essa misturada toda. hahaha
E o vídeo tá caótico também, mas foi só porque o achei perdido por aqui e queria guardar de recordação o dia em que eu conheci um lugar que me deu de presente pessoas especiais, além de lembranças pra guardar pra sempre.
Essa eterna indecisão dentro de mim. Num dia eu estou ótima, no outro é só ansiedade. Sendo racional, eu sei que no fundo não há nada para se preocupar, as coisas são como tem que ser e algo me diz que não é pra ter medo dessa vez, basta seguir em frente e as coisas vão dá certo. Mas não dá, eu sou assim mesmo, uma hora eu não consigo mais fingir que estou tranquila. Eu me sinto prestes a explodir. Quero as respostas, quero os porquês e isso tudo não faz sentido, porque coisas desse tipo simplesmente não funcionam pela razão. Dizem que é o meu ascendente em capricórnio que me faz ser racional e analisar tudo. Não sei se acredito, mas as coisas não andam fazendo muito sentido pra mim. Eu sei que isso vai passar, amanhã talvez, sei também que em nada adianta ficar ansiosa, mas e se não passar? E se eu tiver que esperar novamente? Será que a minha vida toda vai ser assim? Esperando?
Eu estou aqui, na frente desse computador há mais ou menos três horas tentando ler uns textos importantes e tentando me organizar, mas simplesmente não consigo, porque toda hora eu me distraio pensando nessa loucura toda e esqueço o que eu estou fazendo. Pára de pensar um pouco Andressa, pára de pensar.
E o pior é que eu admito, admito que a minha vida quando está assim, completamente pelos ares, admito que é quando eu sinto esse aperto no coração e as noites de insônia é que eu me sinto feliz, parece que eu nasci mesmo com esse karma de gostar de coisas complicadas. Eu preciso complicar pra me sentir viva.
Só pra deixar registrado o show do Oasis, foi lindo ouvir o público cantando emocionado todas as músicas, principalmente Morning Glory (minha eterna preferida), Masterplan e Dont Look Back in Anger, onde a platéia conseguiu roubar a cena e eles se "calaram" pra ouvir o público cantar. De contra mesmo só a minha falência pessoal, gastei muita grana e agora não me resta nada pra fazer nos próximos fins de semana. Mas, tudo bem, porque agora falta pouco para a minha viagem pra Bahia.
Minha vida anda muito ruim e difícil, vai dizer. hahaha
Depois de muito cair e levantar finalmente as coisas estão entrando nos eixos, eu finalmente coloquei um ponto final naquilo que quem acompanha meu blog me vê reclamando há muito tempo. Sim, eu estou me sentindo livre e se as coisas já andavam boas agora estão melhores ainda! Muito em breve eu tenho certeza de que vou dá o meu segundo passo e dessa vez eu vou sem pestanejar porque tenho certeza do caminho que estou trilhando. É tão diferente quando você sabe exatamente o que tem que fazer e se sente segura pra isso! Não há mais dúvidas, insegurança, apenas uma paz muito grande, uma felicidade que não cabe dentro de mim! E o mais legal disso tudo é a lei do retorno, pq quanto mais eu sorrio mais a vida sorri pra mim! Quem diria!
Na quinta-feira finalmente fui ver a tão comentada exposição sobre a escritora Clarice Lispector. Cheguei cedo e comecei a ver a exposição logo que o CCBB abriu. Assim, pude com calma ver todas as zilhões de gavetas da foto acima (calma, a maioria não abria, mas mesmo assim eram muitas) e assim remexer nas cartas que a própria Clarice escreveu para o seu filho, quando ele estava em intercâmbio. Fotos pessoais, cartas de outros escritores ilustres como Drummond ou Caio Fernando Abreu. Estava tudo ali. E eu me sentia como se estivesse invadindo a intimidade da escritora mexendo em todas aquelas gavetas. Fora isto, a exposição era bem curta. Havia um filme com duração de 12 minutos, feito algum tempo antes dela morrer. O vídeo é de uma intensidade absurda. Ela fuma, fala pausadamente e em determinado momento do vídeo diz “eu estou morta”, com uma seriedade tão grande que eu senti um pouco da dor que ela estava sentindo. Não era uma dor física, era uma dor na alma.
Depois da exposição passei ainda na Igreja da Candelária, é incrível ver que as pessoas passam correndo por ela, no caos que é o centro do Rio e ela ali, linda, majestosa e silenciosa por dentro. Não me considero religiosa, mas quando entro em uma igreja tão bela sempre sinto meus olhos encherem d’água. Não sei bem o motivo.
Quando eu estava feliz e satisfeita em casa, meu amigo Yure me avisa que possui convites para o show do Mombojó no Teatro Rival e se eu não estaria interessada em ir. Não precisa nem dizer, né? Era só o começo de uma noite que ficaria na memória de todos que ali estavam. O teatro é pequeno e o show começou cedo, às dez horas da noite. O detalhe ficou por conta do público. Éramos poucos. Parecia que só estavam ali os verdadeiros fãs do grupo e de fato, a banda percebeu e fez um show memorável para quem lá estava. Sem frescuras, Felipe não só estava totalmente à vontade, como foi para o meio do público, brincou, puxou a rodinha, subiu em cima das mesas e terminou o show ajoelhado com o pequeno público em volta cantando Deixe-se Acreditar juntos numa sintonia de fazer inveja. Estávamos todos entorpecidos por algo que não sei dizer o que era, mas desconfio que seja felicidade.
Muita coisa aconteceu desde a última vez que postei aqui. Coisas boas e ruins. Mais boas do que ruins, eu diria. Nesse meio tempo eu mudei de curso e dentro de uma semana começo o meu novo curso, o de Produção Cultural. Muita gente me pergunta o que diabos um produtor cultural faz e quando eu explico as pessoas dizem que também querem fazer o curso. Eu não tinha pensado antes, porque eu tinha acabado de terminar o colégio e meio que tinha a obrigação de passar no vestibular (mesmo que eu não tivesse estudado nada e só vivesse enchendo a cara). Então eu optei por Letras porque inglês sempre foi a minha praia junto com literatura. Lá, porém, eu descobri que não era realmente isso o que eu queria e começou um dilema interno de o que fazer com a porra da minha vida. Eu raramente terminei algo que comecei e com a faculdade eu não podia vacilar. Mas vacilei e cá estou eu no meu novo curso. Eu espero que dessa vez eu tenha acertado. Eu preciso acertar, porque as minhas chances e a paciência do meu pai estão acabando. Mas acho que um curso sobre artes (música, teatro, dança, literatura) jamais me desagradaria. Ainda mais estudando na UFF.
Nesse meio tempo, porém, me apaguei muito ao pessoal da UERJ. Viajei nas férias com os meus amigos de lá e posso dizer que foi uma viagem que vou guardar pra sempre. Não pela viagem em si, mas por tudo que vivemos. Sete dias seguidos juntos. Teve briga, choro, tapa, alegrias e risadas. Muitas risadas. Só não teve ressaca porque todo mundo bebe que nem macho e ressaca é coisa de calouro!
O fator que mais marcou estes últimos dois meses e o principal responsável pela transformação radical na minha pessoa, porém, foi alguém que apareceu na minha vida de repente. Entrou e bagunçou ela toda, perdi o chão e acho que a consciência. Mas não vejo isso como algo ruim. Acho que foi uma experiência muito válida que me fez amadurecer em dois meses o que eu não amadureci em anos. Aprendi a tolerar mais as diferenças. Aprendi que posso amar sem sentir ciúmes, que nós podemos amar outra pessoa sem querer algo em troca, sem gerar grandes expectativas. O que essa pessoa me ensinou eu não poderia escrever aqui. Mas acho que ela sabe o quão importante foi e mesmo que agora reste apenas as lembranças, eu não fico triste. Porque eu sei que o que vale não é duração, mas a intensidade do momento. E agora levo uma lição para a vida e um carinho por você que me nego a tirar de dentro de mim. O amor é isso, ele é livre. Ele chega e simplesmente acontece e depois da mesma forma que chega ele se vai, sem que com isso a gente tenha que se sentir triste. Pelo contrário, eu fico feliz só de imaginar o que essa vida me reserva, neste novo capítulo que se inicia.
Lá vem. Eu tô sentindo. Aquela quietude estranha não ia durar muito tempo. Comigo as coisas nunca duram em nenhum aspecto, até mesmo as minhas maiores vontades desaparecem após algum tempo, mas levam um pouco de mim com ela e deixa o rastro e os cacos do que quebrou espalhados pela casa e pela minha alma. Fica só aquela sensação de que está tudo uma bagunça e tento me organizar em vão. Arrumo a estante e tento colocar as coisas em ordem, de repente colocar os livros em ordem alfabética, mas não, não ficou nada bom e nem vai ficar. Aqui dentro continua uma bagunça. A quietude passa e quando eu menos espero, sem que eu possa pegar ar antes mergulho de cabeça. E vem o misto de prazer e desespero, uma vontade de sair e ao mesmo tempo de ficar. Uma indecisão eterna que sou eu e sem a qual não sei viver.
Eu só estou tentando colocar minha vida nos eixos, arrumando a pilha de cds na estante. Acreditando que de alguma forma isso vá fazer com que eu ignore a bagunça que está dentro de mim.
Preciso assistir mais filmes, eu poderia tirar férias e passar dias inteiros só assistindo filmes, um atrás do outro. Existem tantos que gostaria de assistir, tantos que eu deveria, mas nunca ouvi falar e eu fico aqui numa mistura de ressaca e gripe, tentando me organizar e começar a estudar para todos os seminários e provas que tenho semana que vem.
Será que vai existir um dia onde finalmente eu vou aprender a parar de procastinar e fazer o que eu tenho que fazer?
Preciso ler mais livros também, mas pra isso precisava de dinheiro e tá aí uma coisa que nunca tenho. Até agora a faculdade tem consumido meu tempo com leitura de livros sobre estudos da língua que não deixam de ser interessantes, mas convenhamos que eu preferia ler Kafka. Num recente sorteio para um seminário, eu tive a sorte ou talvez azar de tirar o livro que li nessa mesma época ano passado: Madame Bovary. Acho que no atual momento em que me encontro, ler sobre a Emma Bovary será um pouco angustiante. É que eu, assim como Flaubert e tantas outras pessoas, acho que tenho muito da Bovary em mim. Isso de estar sempre lendo romances e buscando sempre ser quem não era, chocando uma sociedade ainda tão antiquada a ponto de não perceber o quão normal Bovary era com seus desejos e anseios. Eu a entendo tanto, que chego a me angustiar quando ela deixa que as emoções aflore e assume os riscos de se ter uma vida paralela àquela que apresenta a sociedade. Acho que ali está uma mulher como muitas das que existem hoje em dia, que atribuem suas buscas incessantes em outros homens como uma tentativa de se manter viva e de sair da rotina que tanto lhe consome.
Eu juro que ao ver algumas poucas cenas do filme Nome Próprio no blog da Clarah Averbuck, eu senti meu coração acelerar. Não que eu tenha vivido todas as experiências dela or something, mas acho que a intensidade e todos aqueles palavrões e bebidas se identificam tanto comigo e alguns momentos da minha vida que eu pensei. Merda, eu sou uma pessoa fodida. Não tem jeito. Vou ser assim pra sempre.
Toda vez que eu tento escrever que estou bem aqui eu páro na segunda linha e o resultado disso é a quantidade de rascunhos que começam com "eu estou bem". Eu meio que escrevo isso o tempo todo pra tentar acreditar que é verdade. Quando eu mais sinto vontade de gritar é a hora menos apropriada possível. Então eu fico calada ouvindo músicas e encontrando mensagens subliminares em todas elas. Em uma você está se declarando, na outra a gente tá tendo a nossa primeira briga e na seguinte a gente está fazendo as pazes. De repente, eu me dou conta de que não é assim e vou me distrair com alguma coisa, um jogo de cartas, um telefonema (mesmo que eu odeie telefonemas), qualquer coisa que não me leve a pensar. Eu não me entendo. Eu não entendo as ligações perdidas no celular, eu não entendo minha paranóia, muito menos a sua. Eu não entendo nada e só queria ficar um minuto em silêncio quietinha pensando em nada. Olhando para o céu azul que fez hoje depois de tantos dias nublados.
Daí que eu finalmente entrei na dieta e voltei a fazer exercícios, justo agora que já é praticamente carnaval e não dá mais tempo de ficar magra. Beleza, vamos pensar nos planos futuros: ficar magra e aprender a ficar sozinha numa boa sem achar que sou a pior pessoa do mundo porque sou a única sem namorado. Porra, eu me sinto como a Clarah Averbuck às vezes. Eu acho que não sei mais como essas coisas acontecem. Essa história de romance pra mim é lenda. Sei o que é sentir vontade, mas não faço a menor idéia de como é esse lance de se apaixonar. Diz aí vocês que sabem! Rola borboleta no estômago mesmo? Cansei de ficar mal por causa de homem filho-da-puta. Vão todos se fuder. Eu quero ficar sozinha porra, eu estou bem assim, só eu e minha solidão, ouvindo Velvet Underground o dia in-tei-ro e pensando que eu queria ter o telefone do Lou Reed, tipo assim, ligar pro cara e dizer que eu ouço mil vezes "Pale Blue Eyes" e que essa música significa coisa pra burro pra mim. Parece até que ele sabia. Se bem que no fundo ele sabe, ele tem que saber porra!
Pra esse post não ser totalmente inútil, eu deixo uma dica excelente que com certeza vai valer a sua visita a este pseudo-blog quase abandonado.
Conheci o trabalho da cantora Roberta Sá recentemente através do seu segundo cd chamado "Que Belo Estranho Dia Para se Ter Alegria"e não consigo parar de escutar. Ouvir a voz doce de Roberta é quase como um alívio pra minha alma (clichê dito deste jeito eu sei). Procurando informações sobre a cantora descobri que a mesma já participara do programa Fama, aquele reality-shows com futuros cantores. Como eu nunca assisti esse programa eu jamais lembraria dela o que é mesmo uma pena, pois poderia tê-la conhecido muito antes. Então, gaste 2 minutos do seu dia pra entrar no site e ouvir o cd da linda moça.
Voltei a ouvir Nick Drake diariamente, apresentei o mesmo para alguns amigos meus, mas nenhum pareceu muito empolgado. Não entendi, porque quando eu ouvi Nick Drake pela primeira vez (lembro até a música, chamada One Of These Things First), eu me apaixonei pelo homem. Não tem como não me emocionar com as músicas, principalmente quando ouço River Man, me arrepia até o último fio de cabelo.
Mudando de assunto, finalmente, após algumas semanas difíceis, as coisas voltaram ao normal por aqui. Até que dessa vez não foi muito difícil dar fim a algo que não iria pra frente, porque é aquela coisa, quando tá rolando um sentimento fica meio difícil de fugir, rola um sadomasoquismo. Mas dessa vez ficou tudo bem, minha preocupação voltou a ser os estudos.
Pra esse post não ser totalmente inútil, termino com um vídeo lindo da música Nothern Sky, o menininho bonito no final do vídeo é o Nick Drake quando criança.
Eu admito, estou completamente viciada em blogs. A primeira coisa que faço quando chego da faculdade é abrir a minha lista de favoritos e ler blog por blog. Um atrás do outro. Eu preciso saber da sua vida, saca? E aí quando termina a lista eu fico triste e migro para os blogs americanos de fofoca porque gente, adoro acompanhar a saga da Britnéia, um verdadeiro show de horrores. Me divirto.
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Eu tenho textos e mais textos para ler, já levei bomba em uma prova e eu não consigo reverter a situação porque parece uma bola de neve. Vai acumulando e quando você vê, você só corre, porque não adianta mais. Pois é.
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Hoje é dia dos finados, provavelmente vai cair uma chuva dos diabos, mas eu não quero nem saber, vou para Maratona Odeon, evento que ocorre toda primeira sexta-feira do mês, assitir filmes lado b-alternativo-underground até seis horas da manhã se os Deuses colaborarem porque ultimamente tá brabo ein, não vou te enganar não ein. E eu vou lá porque tem anos que não vou ao cinema e tenho medo de dormir sozinha em casa no escuro. Tudo bem que vou super dormir na cadeira quando estiver na metade do segundo filme (realiza o saco de pipoca caído no chão e a baba no canto da boca), mas faz parte. Cada um leva a vida do jeito que pode.
"O que tem me mantido vivo hoje é a ilusão ou a esperança dessa coisa, "esse lugar confuso", o Amor um dia. E de repente te proíbem isso. Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida, impedida." (Caio Fernando de Abreu)
Sabe aquele ditado que diz que você só dá valor a alguma coisa quando perde? Então, não existe maior verdade do que esta. Estava ali sabe, era só assumir o fato e pronto, estaria entrando em uma nova fase da minha vida. Mas não, fiquei confusa, neguei mil vezes. Afinal, não estava rolando nada, nunca esteve, vocês estão viajando. Mas de repente, algo explodiu aqui dentro do peito e voltei a sentir aquela dorzinha que eu tanto gosto, sim, porque eu sou masoquista e gosto de sofrer de amor.
E aí em seguida vem a fase dos sonhos. Eu posso passar um dia inteiro sonhando acordada com a possibilidade de ser feliz com a pessoa, mas levo menos de um minuto para destruir minhas próprias fantasias, como fiz agora. Era um pequeno detalhe, algo que eu não havia percebido antes e que faz toda diferença. E aí é só dor, dor e dor e eu decido enlouquecer. Que se foda - eu penso - de algum modo o meu mundo tem que parar de girar. E aí eu me recupero, eu sempre me recupero. Me sobram apenas a ressaca, as olheiras e algumas poucas lembranças da noite anterior. Mas eu não choro, porque eu amadureci pra caralho em poucos meses e já cansei de chorar. Chega dessa história de me sentir infeliz por causa dos outros.
Muita coisa pra contar e pouca vontade de escrever. Passei os últimos dias em Friburgo, congelando de frio enquanto o resto da população do Rio fritava em engarrafamentos gigantescos e praias lotadas.
Agora que cheguei, posso finalmente falar sobre a noite de quinta-feira, sem exatamente saber por onde começar. Foi maravilhosa, isso eu posso dizer com toda certeza. Começou com o já famoso chorinho no Beco do Rato, onde um senhor de idade me tirou pra dançar mesmo sobre os meus protestos de não saber sambar. Mas o senhor realmente entendia da coisa, me fez rodopiar no salão e ainda arriscar uns passos mais ousados. Fiquei boba de felicidade e fui para o Circo.
Quando estava ali no Arcos da Lapa, alguém me grita e era ninguém menos do que a Pree, a minha amiga virtual de anos. Como as duas estavam visivelmente bêbadas foi um encontro um tanto emocionado, digamos assim.
Nesse meio tempo (eu não consigo lembrar como nem que horas eram), surgiu uma banda tocando marchinhas de carnaval no meio da rua. Como bêbado é muito criativo, eu e Biel puxamos um tremzinho que acabou virando um tremzão e quando se viu, havia em plena praça um grande grupo de pessoas fazendo tremzinho, sambando e dançando como se fosse carnaval de novo. Olhei para aquilo tudo admirada, às vezes reclamo muito do Rio de Janeiro, mas acho que em nenhum outro lugar do mundo eu veria isso. Me derreti de amores pela minha cidade.
Quando finalmente entrei no Circo, o Móveis Coloniais de Acaju já estava tocando, tocaram pelo o que me pareceu duas horas intermináveis. Não tive a menor paciência para assistir o show todo e fiquei ligando desesperadamente para o celular do Biel porque o mesmo tinha desaparecido e eu estava sozinha, bêbada e entediada até que começou o show do Manacá. Minha gente, o que foi aquilo? Manacá é luz! Fizeram uma brilhante interpretação de duas das minhas músicas favoritas, Canto de Ossanha (Baden Powell) e Tinindo Trincando (Novos Baianos). Após o show, eu finalmente encontrei Biel e o pessoal, todos extremamente alcoolizados, inclusive eu. Foi uma noite linda.
Pra fechar o post tosco e mal escrito, um vídeo do Manacá no Circo Voador. Babem.
"ai, Flávio, acho que não gostei da voz dele", eu disse no primeiro dia, nós dois já bêbados como nos convém.
"ih, aí é perigoso. aí é amor. quando você implica assim de cara..."
"ah não"
Apesar do diálogo ter acontecido entre Clarah Averbuck e seu amigo, eu me sinto na mesma situação. Não tem verdade mais verdadeira do que essa. E é assim desde os tempos do colégio, sempre que rolava de implicar com alguém, eu estava é na verdade apaixonada. Porque não sei vocês, mas quando eu era pequena, por volta dos nove anos, eu me apaixonei perdidamente por uns vinte caras. Cada semana era um amor novo e era sempre eterno, mas eu acabava sozinha, era uma coisa meio platônica. O lance é que eu sempre gostei dessa história de amor impossível, de chorar pra caralho vendo um filme, e agora eu to aqui velha com queda de cabelo e continuo com a mesma implicância, com essa história de que amor bom é amor impossível. Eu me canso.
*
Então que eu sou uma burra idiota que nunca, nunca aprendo e continuo fazendo as mesmas coisas. Prometo o que não vou cumprir, minto pra quem espera a verdade e confio em quem não merece. Cheia de problemas, mas se você me perguntar eu vou dizer que estou bem. Eu estou bem pra caralho, porque eu tenho ainda meia garrafa de vodka vagabunda em casa pra me dá uma puta ressaca e me fazer esquecer dos problemas que me afligem que nem são tantos assim, mas eu sou chegada num drama.
*
Eu mudei o visual hoje e não gostei. Eu não como carne há uma semana e eu nem sei direito o motivo. Ou talvez saiba, sei lá, vou parar de tentar entender as coisas.